Tag: vida breve

Faço esse post porque, hoje, derramei uma lágrima por um artista de glassblowing que faleceu vítima do câncer. #fuckcancer

Eu nunca o conheci pessoalmente. Apenas comecei a segui-lo no instagram quando, provavelmente, há alguns anos, alguma obra dele foi publicada em um daqueles de arte genéricos. Mas isso foi muitas mudanças de algoritmos atrás, uns 3 ou 4 anos.

 

Comecei a seguir vários artistas a partir dessas contas genéricas sobre arte ou hashtags. Gente que nunca conheci, nem nunca conhecerei, mas que vou acompanhando. Curto, comento, elogio. Afinal, são seres humanos por detrás das contas. Outro dia desses, soube que uma está sóbria faz 5 anos. Outra se mudou de NY por causa de um amor. Um alfaiate chiquerésimo da Itália respondeu com gentileza quando lhe perguntei qual era seu terno preferido.

A doce e ilusória humanidade por detrás dos algoritmos. Ah, mas como aquece o coração!

Eis que um dia este glassblower publica uma foto de um exame de imagem cerebral dizendo: “eis o que você não quer ver em uma ressonância“. — Ele chegou a operar e postar mais explicações, mas não teve jeito. Soube, hoje, por outro glassblower.

My prognosis is not great. I’ll put it up in a day or two. Basically I’ll be doing whatever I normally do, just might be for less time.

Para morrer, basta estar vivo.

E não, em 2020 não se morre só de covid-19.

E é por isso que eu tirei 1h de uma sexta-feira para escrever isso aqui. Não vai pontuar pra SEO, não vai me trazer clientes, não é um post profissional. Eu até já tinha avisado que a retomada do blog não seria totalmente profissional. Meu parquinho, minhas regras.

Eu vim aqui te perguntar, livre da obrigação de não misturar “te” e “você” em uma frase, se você já fez ou fará algo bacana hoje. Algo que te faça sorrir. Algo que te faça gargalhar, relaxar, sonhar.

E aquela pessoa com quem você amava conviver, que marcou muito sua vida em dado momento e que, hoje em dia, apesar de qualquer boa intenção em prol de um possível encontro, virou apenas um penduricalho virtual? Manda uma mensagem, um áudio pra ela!

Sabe aquela tia, aquele parente bacana, porém já mais idoso, talvez, que sempre demonstrou gostar de ti mas que você anda muito ocupado com os boletos, com as auláines, com @ chefe, com as notícias, gente, com as notícias….!

Por 2 dias, não leia as notícias.

A mídia fabrica medo. O medo mata os sorrisos.

 

Planeje pequenas alegrias, faça sua arte, pratique seu hobby. Não tem um? Escolha um. Tem todos do mundo. Leia um livro. Ache uma série pra ver. Não precisa ser nada de muito significativo, não. Basta começar um movimento para ser livre, e a teia dos medos e da tristeza e da feiura começa a se desfazer. Uma gargalhada mata mil rancores.

Guarda mágoa? Bote pra arejar e evaporar. Faça terapia. Faça amor, não faça guerra. Se ame para poder amar.

Eu acredito em pós vida. Só tenho medo de morrer por conta dos parentes, principalmente de Catarina ainda tão pequena. Mas, na real, não importa no que a gente acredita. O que vale é o que a gente faz no aqui e agora.

O que você fez hoje? Ontem? O que fará amanhã? Seja o que for, *ache 10 segundos para sorrir*.

Eu o farei em memória do Greg Owen, artista do vidro de Seattle, onde nunca pus os pés.

Já que é pra atuarmos nesse palco chamado vida, a arte do encontro (embora haja tanto desencontro pela vida – Salve, Vinícius!), minha meta é sempre me levar menos a sério e rir, sorrir, achar graça. Mesmo na desgraça.

Vem comigo! Afinal,

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não