Category: Tradução Simultânea

2020, o ano da pandemia da Covid-19 (#xôcovid #ihatecovid).

Outubro de 2020: 7 meses de pandemia no Brasil, 7 meses de crianças em casa, 7 meses de readaptações e reinvenções. 7 meses de tudo online. Aulas online, eventos online… até em um coral online inventei de participar!

Seja por vontade própria ou necessidade, muita gente já “voltou ao antigo normal” (visto que o “novo normal” é igualzinho ao antigo na realidade carioca, porém de máscara), mas duas coisas muito importantes para uma tradutora/intérprete autônoma seguem “anormais”:

  1. As aulas nas escolas ainda não foram retomadas plenamente, e a minha família opta por manter a criança de 5 anos fazendo aulas online, assim como todas as famílias da turminha do barulho.
  2. Não há mais eventos presenciais eventos de tradução simultânea, apesar de existir a possibilidade da tradução simultânea remota. Ou há poucos, predominantemente em formato híbrido (intérpretes presenciais, público remoto).

Tradução simultânea remota

Há, sim, a famosa RSI, Remote simultaneous interpretation, que nos permite trabalhar de casa ou de hubs como este da empresa Comunica, situado no centro do Rio de Janeiro, onde se pode trabalhar “presencialmente” em eventos remotos.

“Mas por que sair de casa para trabalhar, quando se pode trabalhar de casa?” Simples: hubs de RSI tem 230984092 recursos pra internet não cair, 0 cachorros, 0 carros do ovo, nobreak para se faltar luz, técnico e uma série de outras pequenas vantagens.

Muitos intérpretes investiram pesado e transformaram seus lares em hubs: 2-3 conexões de internet, headsets caríssimos, 2 computadores e mais uma miríade de gadgets e aplicativos, assistiram a horas de webinars e realmente se capacitaram. Meus sinceros aplausos, do fundo do coração!

Eu, de minha parte, investi apenas um headset e uma 2ª conexão de internet, além de webinars bem no início da pandemia. Preferi ver se a demanda existiria mesmo para investir alto, e fico feliz de não ter torrado tanta grana logo em abril/maio. Por quê?

Identifico três fatores importantes a considerar:

  1. Até onde sei, assuntando daqui e dali, não há grande demanda por interpretação remota, ao menos no par inglês <> português.
  2. Já que é tudo remoto e online, intérpretes de qualquer parte do mundo podem estar atendendo a clientes da minha praça (Rio de Janeiro). Por que não?
  3. Além do conteúdo, quem vai a eventos quer o networking, conhecer gente, fazer contatos, socializar. E, por mais que os eventos remotos bem organizados promovam sessões de interação, ainda assim não é a mesma coisa.

Confissões de uma mãe autônoma

2020 e esse inferno desse vírus #loko, que, além de ceifar quase 160 mil vidas apenas no Brasil (cerca de 300 aviões grandes cheios!) trouxe muitas consequências. Uma delas é o distanciamento social, que aproxima(?) as famílias (ok, divorcia algumas), mas afasta as crianças da escola. E isso será objeto de outro post: crianças em casa, fazendo aulas online.

Algumas puderam retornar à escola agora em outubro, mas eu e as outras famílias do Pré II resolvemos esperar: Catarina, meu amor que estava já no 7º mês de vida gestacional quando fiz o curso HIIT em 2015 (por isso que me escondi atrás da placa, pois não revelei minha gravidez na internet – assunto pra outro post!), hoje já está com 5 anos, foi novamente ao HIIT em janeiro de 2020 (novamente, devo um post, pago quando puder!) — Catarina continua 100% no ensino remoto, fazendo cerca de 10 “auláines” por semana.

A auláine é uma contração de aula + online, neologismo criado por Catarina e que pretendo popularizar.

 

Homeschooling?

Até onde sei, quem pretende educar os filhos em casa precisa de uma formação específica para tal, além de uma energia e dedicação tamanhas que “vira profissão”. Só que eu tenho uma profissão já. E aí?

Então, pandemia + trabalho é isso aí: 7 meses de “”””homeschooling””””. E, mesmo pra quem já optou pelo presencial, *até onde sei*, as leis municipais impõem muitas restrições. Por exemplo, permitem a permanência dos alunos nas escolas por apenas 3h, possivelmente nem todos os dias, em modelo híbrido (presencial e online), regras rígidas de distanciamento e higienização…

Sei, graças à prof.ª Gisela do curso Descomplicando o Inglês Jurídico , para decisões a nível local, as diretrizes municipais prevalecem sobre as dos níveis mais altos. Afinal, sabemos que, pelo governo federal, não teria havido quarentena nenhuma, né? Assim, para as escolas no Rio, valerão as regras de ouro da prefeitura.

Resumo: enquanto a lei municipal não mudar (eleições municipais estão fazendo o caldo ferver!), não há nem como voltar a trabalhar “normalmente” como autônoma.

Resumo do resumo: crianças em casa durante a pandemia, por 7 meses, é guerrilhaaaaaa – e olha que tenho uma só! Mas esse assunto fica pra outro post. Até porque, se você leu até aqui, leu muito. Parabéns!

Dica a clientes de tradução simultânea remota: preferencialmente, invista extra e faça seu intérprete trabalhar da *segurança tecnológica* de um hub!